janeiro 27, 2015



Pesquisa traça comportamento de peixes e invertebrados aquáticos 
por Portal Brasil: 05/01/2015


Fauna aquática: Avaliação da fauna aquática sob risco de extinção é possível graças à pesquisa já realizada no Brasil. Entre 2010 e 2014, o governo federal realizou a maior avaliação da fauna já feita no mundo, com as novas listas ampliando em 800% a quantidade de espécies avaliadas em comparação ao último levantamento, divulgado em 2003. De acordo com a Portaria do MMA - Pró-Espécies, as listas serão atualizadas anualmente, e cada grupo de espécies será revisado com uma periodicidade máxima de cinco anos. A pesquisa considerou 12.256 espécies da fauna brasileira, incluindo peixes e invertebrados aquáticos, e, no que se refere a estes últimos, o Ministério do Meio Ambiente, juntamente com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), elaborou o FAQ abaixo.

1. Como foi produzida a Lista Nacional Oficial das Espécies Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos?
A metodologia utilizada para avaliação do estado de conservação das espécies brasileiras foi desenvolvida pela UICN (União Internacional para Conservação da Natureza), e é amplamente utilizada em avaliações do estado de conservação de espécies em nível global e já adotada por diversos países.
As espécies são avaliadas em relação ao seu tamanho e variação populacional, características do ciclo de vida, área de distribuição, qualidade e fragmentação do habitat, ameaças presentes e futuras, medidas de conservação existentes, entre outros aspectos. Com base nestas informações, e de acordo com critérios técnicos padronizados e objetivos, o status de ameaça de cada espécie é definido.
No Brasil, a atualização da Lista Nacional Oficial das Espécies Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos foi coordenada pelo ICMBio, e contou com a participação de centenas de especialistas e cientistas, oriundos de dezenas de instituições, abrangendo os melhores institutos de pesquisa e universidades do país.
Foram avaliadas mais de 5 mil espécies de peixes e invertebrados aquáticos, incluindo 100% dos peixes marinhos e continentais conhecidos no País, e centenas de espécies de invertebrados.
Das mais de 5 mil espécies avaliadas, 475 são consideradas ameaçadas e estão presentes na nova lista, publicada através da Portaria MMA nº 445. Dessas, apenas cerca de 80 espécies, ou 17%, possuem uso econômico hoje, de acordo com análises preliminares.

2. Quais são os critérios usados para definir o grau de ameaça de uma espécie?
As análises seguem os critérios desenvolvidos pela UICN. Há cinco critérios quantitativos que são utilizados para determinar se uma espécie está ameaçada e a que categoria de ameaça pertence:
Redução da população (observado, estimado e/ou projetada);
Distribuição geográfica restrita e apresentando fragmentação, declínio ou flutuações;
População pequena e com fragmentação, flutuações grandes ou declínio (observados, estimados e/ou projetados);
População muito pequena ou distribuição muito restrita;
Análises quantitativas da probabilidade de extinção (por exemplo, Análise de Viabilidade Populacional).
Mais detalhes sobre os critérios utilizados podem ser vistos no documento Categorias da Lista Vermelha da IUCN - Versão 3.1.

3. Quais dados subsidiaram essa decisão?
Foram utilizadas as publicações oficiais relacionadas a cada espécie, incluindo boletins estatísticos de pesca, artigos científicos, dissertações e teses de mestrado e doutorado, livros e demais publicações científicas e técnicas. Esta bibliografia contém os melhores dados disponíveis no momento.
A produção científica brasileira e mundial tem crescido rapidamente, e espera-se que futuras publicações possam auxiliar a compreender cada vez melhor o status de conservação das espécies e avaliar a recuperação das populações.
A bibliografia utilizada para a avaliação de cada espécie pode ser vista no site do ICMBio.

4. O que significa dizer que uma espécie está Vulnerável, Em Perigo ou Criticamente Em Perigo de Extinção?
As espécies consideradas ameaçadas são divididas em 3 categorias, definidas pela Portaria MMA nº 43, de 31 de janeiro e 2014, e de acordo com a metodologia da UICN, representando o grau de ameaça de extinção. São elas:
Vulnerável (VU) - quando as melhores evidências disponíveis permitem considerar que a espécie está enfrentando risco alto de extinção na natureza;
Em Perigo (EN) - quando as melhores evidências disponíveis permitem considerar que a espécie está enfrentando risco muito alto de extinção na natureza;
Criticamente em Perigo (CR) - quando as melhores evidências disponíveis permitem considerar que a espécie está enfrentando risco extremamente alto de extinção na natureza.
As espécies que foram avaliadas e que não estão ameaçadas de extinção são classificadas em outras categorias, como "Menos preocupante (LC)", "Dados insuficientes (DD)" ou "Quase ameaçada de extinção (NT)", por exemplo.
As espécies da categoria “quase ameaçada de extinção (NT)” são aquelas que ainda não são ameaçadas, mas apresentam status preocupante.
Para essas espécies a captura e comercialização continuam permitidos e não haverá publicação de uma segunda lista contendo as espécies quase ameaçadas de extinção.
No entanto, é importante que seu uso comercial seja feito de forma sustentável. Caso os mecanismos de gestão adotados mostrem-se falhos ou insuficientes para promover a recuperação destas espécies, é possível que ocorra uma piora no seu status de conservação e que elas sejam incluídas em uma atualização futura da Lista Oficial Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção.

5. O que pode ser feito para proteger estas espécies ameaçadas?
De acordo com o levantamento feito durante o processo de avaliação das espécies, foram identificadas que as principais ameaças para os peixes e invertebrados aquáticos presentes na lista estão relacionadas a alterações de habitat – para as espécies continentais – e à captura excessiva – para as espécies marinhas.
Há diversos mecanismos utilizados para proteger estas espécies, e a próprio reconhecimento do grau de ameaça de cada grupo é um instrumento importante de conservação.
Entre outras medidas que podem resultar em conservação e recuperação das espécies ameaçadas, pode-se citar a criação e ampliação de Unidades de Conservação, a elaboração de Planos de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, a instituição de medidas que aumentem a sustentabilidade das atividades pesqueiras, e a proibição de captura para espécies com risco muito alto e extremamente alto de extinção.
Algumas espécies, devido a suas características biológicas, necessitam de um tempo maior para a recuperação de suas populações do que outros grupos.
É o caso de diversas espécies de tubarões, raias e outros peixes, como garoupas, chernes e o mero.
É importante destacar que a sobrevivência a longo prazo da própria atividade de pesca depende da existência de estoques pesqueiros saudáveis.
Permitir a captura de espécies com risco muito alto e extremamente alto de extinção pode resultar em colapso dos estoques, tendo como consequência graves prejuízos ambientais, sociais e econômicos.
Os danos causados pela extração excessiva de recursos naturais, especialmente em relação aos estoques pesqueiros, têm sido observados em todo o mundo há décadas, resultando na necessidade cada vez maior de adotar mecanismos que garantam a sustentabilidade desta atividade econômica.

6. Todas estas espécies estão proibidas de serem capturadas a partir de 18 de dezembro de 2014?
Não. Para as espécies que não eram consideradas ameaçadas na lista de 2004, e que não sejam objeto de outras proibições por normas específicas, a proibição de captura, transporte, comercialização e outros só entrará em vigor 180 dias após a publicação da Portaria nº 445 (artigo 4º).
Este prazo foi previsto para que haja plena divulgação da norma em todo o país e para que os pescadores artesanais e industriais possuam tempo de adaptar as suas atividades produtivas à preservação das espécies ameaçadas de extinção.
Além disso, para as espécies ameaçadas da categoria Vulnerável poderá ser permitido um uso sustentável, desde que regulamentado e autorizado pelos órgãos federais competentes, conforme artigo 3º da portaria.
Nesta categoria, com possibilidade de uso sustentável, estão classificadas mais de 40% das espécies de peixes e invertebrados aquáticos ameaçados que tem uso econômico hoje, incluindo Garoupa, Cherne, Badejo, Pargo, Cações, entre outros.
Em muitos casos, o mesmo nome popular é utilizado em espécies diferentes de peixes. É o caso de alguns bagres, cações, raias, surubins e peixes-rei, por exemplo.
O nome científico é o que deve ser considerado para avaliar se determinada espécie está presente na lista ou não.

7. Então todas as espécies da categoria Vulnerável poderão ser capturadas?
A captura e comercialização das espécies ameaçadas da categoria Vulnerável será permitida após regulamentação e autorização pelos órgãos federais competentes, conforme artigo 3º da Portaria 445, permanecendo proibida até então.
A regulamentação e autorização deverá atender diversos critérios que buscam promover a sustentabilidade da pesca e redução dos impactos sobre as espécies. São eles:
Não ter sido classificada como ameaçada de extinção desde a avaliação anterior, publicada pela Instrução Normativa nº 5, de 2004, ou não ser objeto de proibição em normas específicas;
Estar em conformidade com a avaliação de risco de extinção de espécies;
Existência de dados de pesquisa ou monitoramento que subsidiem tomada de decisão sobre o uso e conservação da espécie na área a ser autorizada;
Adoção de medidas de preservação das espécies e de mitigação de ameaças, incluindo aquelas decorrentes de recomendações internacionais; e adoção de medidas indicadas nos Planos de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção aprovados, quando existentes.

8. Discordo dessa avaliação. O que eu posso fazer?
É importante ressaltar que o status de conservação das espécies é analisado em escala nacional. A existência de um grande número de indivíduos em determinada região não significa necessariamente que a espécie não está ameaçada de extinção.
Diversas espécies agregam-se em determinadas épocas do ano para reprodução ou alimentação, por exemplo.
Outras espécies podem possuir uma subpopulação abundante em determinado local, mas estarem ameaçadas de extinção por causa da sua distribuição geográfica muito reduzida.
A avaliação foi realizada com base nos melhores dados disponíveis atualmente. No entanto, futuras publicações científicas podem trazer novas informações sobre o status de conservação das espécies.
O artigo 6 da Portaria prevê que a lista poderá ser atualizada a partir do aporte de conhecimento científico e de dados atualizados de monitoramento.
Especificamente para assessorar as avaliações referentes às espécies de interesse social e econômico, o Ministério do Meio Ambiente instituirá um Grupo de Trabalho, podendo ser convidados representantes de outros órgãos da administração pública, especialmente do Ministério da Pesca e Aquicultura, bem como representantes de universidades e instituições científicas.

9. Quando a lista será atualizada?
De acordo com a Portaria MMA nº 43 de 2014, que instituiu o Programa Nacional de Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção - Pró-Espécies, as listas serão atualizadas anualmente, e cada grupo de espécies será revisado com uma periodicidade máxima de cinco anos.
Isso significa que, embora tenham se passado 10 anos entre as publicações da lista anterior e da lista atual, a partir de agora as listas serão atualizadas em velocidade muito maior.
Além disso, poderão ser realizadas alterações específicas na lista, caso existam novas informações científicas ou dados de monitoramento atualizados que indiquem mudança no status de conservação de determinada espécie.
Todo o processo será realizado com base nos melhores dados científicos disponíveis, conduzido por especialistas de cada grupo e coordenado pelo ICMBio, garantindo elevada qualidade técnica.

Fonte:

janeiro 18, 2015

Pesquisadores encontram peixes estranhos no litoral da Bahia
Um tubarão de meio metro, um peixe cabeça de geleia. Esses são alguns animais marinhos muito raros, ou até desconhecidos.



Um tubarão de meio metro e um peixe cabeça de geleia. Esses são alguns animais marinhos muito raros capturados por pesquisadores do Projeto Tamar, na Bahia. Até agora, são dez espécies que nunca tinham sido vistas no Atlântico Sul. Quatro delas são novidades para todo o mundo.

Os peixes foram capturados entre 200 e 1.200 metros de profundidade. Muitos chegaram à superfície mortos, mas alguns sobreviveram e foram levados para a base do Tamar de Praia do Forte, onde ganharam um espaço especial: escuro e frio, como no fundo do mar.

O peixe cabeça de geleia era desconhecido até pouco tempo atrás. Ele foi descoberto por uma equipe do Tamar durante testes com anzóis circulares. Os testes vêm sendo feitos desde 2009, em águas profundas, em frente ao litoral norte da Bahia.

Os anzóis circulares, usados nos testes feitos pelo Projeto Tamar, já são utilizados também em muitos países. Eles são bem menos agressivos do que os anzóis em J. As tartarugas marinhas, por exemplo, quando capturadas com anzóis circulares têm 6% a mais de chance de sobreviver, segundo os pesquisadores do Projeto Tamar. É mais uma ação para preservar a vida marinha sem prejudicar o trabalho dos pescadores.

"Nós queríamos mostrar para o público, pro pescador, que os anzóis eram eficazes e que pescavam muito bem peixe e que não pescavam tartaruga. Pra nossa surpresa, vieram peixes desconhecidos”, diz o coordenador do Projeto Tamar Guy Marcovaldi.

Já o ‘tubarãozinho’ foi um dos primeiros capturados. Adulto, mede cerca de 50 centímetros. Segundo os pesquisadores, é uma espécie dócil. Além de manter os tubarõezinhos vivos, os biólogos conseguiram também fazer com que eles se reproduzissem em cativeiro. “Se adaptaram tão bem a viver nesse espaço que eles se reproduziram. Já nasceram mais de cinquenta filhotinhos”, fala o biólogo do Tamar Gonzalo Rostan.

A barata gigante do mar também é outro bicho estranho. O crustáceo pode viver a dois mil metros de profundidade. “Ele se alimenta de animais que chegam mortos ao fundo dos oceanos”, explica a bióloga Flávia Almeida.

Outro bicho esquisito é a espécie de peixe-bruxa, que vive a mais de mil metros de profundidade. Ele tem um corpo alongado, como uma enguia. O crânio é cartilaginoso e possui uma narina única. “É o mais primitivo dos peixes. É um animal que não tem olhos. Para se defender dos predadores, ele solta um muco na água”, completa a bióloga.

janeiro 13, 2015



Lagos da América do Norte estão se parecendo com "geléias"

"Osteoporose Aquática"
Uma nova pesquisa revelou que esse fenômeno "osteoporose aquática" está se espalhando ao longo de muitos lagos de águas temperadas da América do Norte devido à diminuição dos níveis de cálcio na água, dificultando a sobrevivência de alguns organismos.

Cientistas das Universidades de Queen, York e Cambridge, juntamente com outros colaboradores, identificaram uma mudança biológica em muitos lagos de águas temperadas, em resposta ao declínio dos níveis de cálcio, após períodos prolongados de chuva ácida e extração de madeira. A pouca disponibilidade de cálcio dificulta a sobrevivência de muitos organismos aquáticos que precisam de níveis elevados de cálcio para seu crescimento.

"O cálcio é um nutriente essencial para muitos organismos que vivem no lago, mas as concentrações foram reduzidas à níveis tão baixos em muitos lagos que espécies-chave já não conseguem sobreviver nesse ambiente", diz Adam Jeziorski, um dos principais autores do estudo.

A equipe de pesquisa descobriu que quando os níveis de cálcio estão baixos, a Daphnia (pulga de água), que tem requisitos elevados de cálcio no corpo, reduz sua população drasticamente.


É importante ressaltar que esta espécie (Daphnia) está sendo substituído por seu concorrente revestido de geléia, Holopedium (foto por Ian Gardiner / E-Fauna BC).

"As condições estão agora a favor de animais melhores adaptados á baixos níveis de cálcio, e essas mudanças podem ter repercussões ecológicas e ambientais significativas," diz o Dr. Jeziorski.

"O estudo descobriu que os invertebrados revestido de geléia vêm aumentando em muitos lagos norte-americanos, provavelmente como um efeito a longo prazo da chuva ácida sobre os solos florestais, onde ocorrem a extração de madeira e regeneração florestal."

O aumento desses invertebrados pode ter implicações importantes para a biota do lago, alterando as cadeias alimentares, e também a obstrução das entradas d'água. Infelizmente, o que se contratou é que muitos lagos investigados pela equipe passaram dos limiares críticos.

O estudo foi publicado na Proceedings of the Royal Society B.

dezembro 14, 2014

"Lago Tanganika"
Vale a pena não colocar todos os ovos (ou prole) no mesmo ninho?


Copyright © Stefanie Schwamberger
Os ciclídeos do Lago Tanganika (África) "permutam" suas crias com outros pais para reduzir as chances de que toda a sua ninhada seja comida por predadores.
Neolamprologus caudopunctatus é uma espécie de ciclídeo monogâmica e os casais constroem grutas de nidificação para proteger seus ovos e filhotes de predadores. Num mergulho de 12 metros direto para o fundo do lago, os cientistas coletaram amostras de DNA de cerca de 350 casais e proles de mais de 30 ninhos. Técnicas genéticas sofisticadas foram então aplicadas para investigar a paternidade da prole em ninhos individuais e, na maioria dos ninhos foram encontrados alevinos com cargas genéticas diferentes ao casal de "pais" relacionado e ainda alguns ninhos contendo alevinos provenientes de vários casais.
Como o local dos ninhos já eram conhecidos, os cientistas foram capazes de mostrar que as larvas tinham nascido em ninhos que foram separados e colocados em ninhos adotivos de menos de um metro a até mais de 40 metros dos ninhos dos pais verdadeiros. Apesar de muitas espécies de pequenos porte serem capazes de nadar vários metros para uma nova gruta (ou refúgio) sem serem comidos, é pouco provável que eles (filhotes) possam viajar grandes distâncias. Sendo mais provável que os mesmos tenham sido levados aos "novos" ninhos dentro da boca de seus pais.
Transportar os alevinos para ninhos relativamente distantes seria garantir que alguns jovens fossem protegidos, mesmo se todos os ninhos na vizinhança fossem predados ou destruídos imediatamente, por isso é fácil entender por que os pais fazem isso. Mas por que outros casais estariam dispostos a adotar uma prole que não tenham relação com eles?
Franziska Schaedelin do Instituto Konrad Lorenz da Universidade de Medicina Veterinária de Viena,  sugere que os pais adotivos podem aceitar proles alheias como uma forma de diluir a predação de seus próprios filhotes. Se assim for, os pais adotivos devem adotar filhotes menores do que sua própria cria, já que provavelmente os menores seriam predados primeiro.
Os pesquisadores demonstraram também que as proles adotadas eram do mesmo tamanho que a prole pertencente àquele ninho, embora ligeiramente maiores que os filhotes que não foram oferecidos para adoção. Parece que os pais permitem "seletivamente" filhotes alheios em suas próprias ninhadas e disponibilizam seus alevinos para adoção por outros casais.
Compartilhar o cuidado das ninhadas entre diferentes famílias representa uma espécie de "apólice de seguro" contra a predação dos ninhos. Schaedelin sintetiza: "em uma espécie que é tão altamente predada, que deve ter sido importante desenvolver uma estratégia para garantir que pelo menos alguns dos jovens sobreviva. Ao que tudo indica os peixes usam isso como estratégia para não colocar todos os seus ovos (no caso alevinos) em um único ninho. 

FONTE: O paper "Nonrandom Brood Mixing Suggests Adoption in a Colonial Cichlid" dos autores Franziska C. Schaedelin, Wouter F.D. van Dongen & Richard H. Wagner foi publicado na revista "Behavioral Ecology".

dezembro 09, 2014

Procura-se uma namorada!!!  
Wanted: Female to save critically endangered cichlid  

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Aquaristas da Sociedade de Zoológicos de Londres (ZSL, sigla em inglês para Zoological Society of London) do London Zoo lançaram um apelo urgente mundial para encontrar uma companheira para os últimos machos remanescentes de uma espécie de ciclídeos de Madagascar criticamente ameaçada de extinção.
O ciclídeo de Mangarahara da espécie Ptychochromis insolitus, acredita estar extinta na natureza, devido à construção de barragens que secou seu habitat no rio Mangarahara em Madagascar, e dois dos últimos exemplares conhecidos estão residindo hoje no Aquário do London Zoo .

E, como se a situação não fosse trágica o suficiente para a espécie, os dois indivíduos que habitam o Aquário do London Zoo (ZSL) ambos são, infelizmente, machos.

O curador do aquário do London Zoo (ZSL), Brian Zimmerman, juntamente com os colegas do zoológico de Zurique - Suíça estão empenhados na busca por outros ciclídeos de Mangaraharan em zoológicos pelo mundo - usando as associações de zoológicos internacionais e de aquários para atingir o maior número de especialistas e aquaristas possível , por enquanto não tiveram sorte na busca por fêmeas sobreviventes.
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Macho de Ptychochromis insolitus (London Zoo).

A equipe do aquário do Zoo London (ZSL) iniciou uma campanha desesperada direcionada aos proprietários de aquário privados, de peixes, colecionadores e entusiastas para que divulguem se eles têm ou sabem de alguma fêmea existente, de modo que um programa vital de melhoramento e conservação da espécie possa ser iniciado.

Lançando um apelo, Brian Zimmerman do Zoo Londres disse: "A situação do ciclídeo de Mangarahara é chocante e devastadora em vias de extinção, o seu habitat selvagem não existe mais e, tanto quanto podemos dizer, apenas três machos desta espécie permanecem vivos."

Fêmea de Ptychochromis insolitus do Zoo Berlim.
"Pode ser tarde demais para seus parentes selvagens, mas se podemos encontrar uma fêmea, não é tarde demais para a espécie. Aqui no ZSL London Zoo temos dois machos saudáveis​​, bem como as instalações e conhecimentos para fazer uma diferença real."

"Estamos fazendo um apelo urgente para chamar a atenção para quem possui ou conhece alguém que tenha algum exemplar dessa espécie criticamente em perigo, que são na cor prata, com a extremidade das nadadeiras de cor laranja, para que possamos iniciar um programa de melhoramento aqui no Zoo de trazê-los de volta da beira da extinção." A ZSL London Zoo está pedindo que qualquer pessoa com informações sobre os ciclídeos entre em contato com a equipe através do e-mail (fishappeal@zsl.org).

Mangarahara e a Sociedade Zoológica de Londres
Conservacionistas da Sociedade Zoológica de Londres, liderada por Brian Zimmerman, realizará uma expedição de emergência para Madagascar para determinar exatamente qual a situação do ciclídeo Mangarahara em estado selvagem.
Dois exemplares remanescentes  de Ptychochromis 
insolitus no ZSL
Atualmente classificada como criticamente ameaçada pela IUCN, a espécie é considerada pelos especialistas como extinta na natureza desde a construção da barragem que secou o rio que era seu o habitat natural.
A Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) fundada em 1826, é uma organização internacional científica de conservação e educação cuja missão é promover e realizar a conservação mundial de animais e seus habitats.
Sua missão é realizada por meio da ciência inovadora, projetos de conservação ativos em mais de 50 países e dois zoológicos, o Zoo de Londes e o de Whipsnade. 


União Internacional para a Conservação da Natureza (sigla em inglês - IUCN)
A União Internacional para a Conservação da Natureza é a maior e mais antiga organização ambiental fundada em 1948 como a primeira organização ambiental global do mundo.
Atualmente é a maior rede mundial de conservação profissional e uma das maiores autoridades sobre o meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com mais de 1.200 organizações membros, incluindo mais de 200 governo e mais de 900 ONG's.
A sede da União está localizada em Gland, perto de Genebra (Suíça). O trabalho da IUCN é realizado com o auxílio de aproximadamente 1.000 funcionários em 45 escritórios, além de centenas de parceiros público, do setor privado e ONG's por todo o mundo.

Wanted: Female Mangarahara Cichlid 

dezembro 05, 2014

         Amphilophus hogaboomorum

The large male Amphilophus hogaboomorum @ 13″ (33 cm)
O grande macho selvagem de Amphilophus hogaboomorum (33 cm), também conhecido como Guayas ou Harlequim, nativo de Honduras.

Gostaria de gastar mais tempo apenas observando meus peixes. E tenho certeza que não estou sozinho nesse sentimento. Assim começa o relato do autor dessa matéria. A maioria dos apaixonados por aquários (aquariofilistas) concorda que uma boa parte do tempo gasto com seu aquário é na limpeza, alimentação e manutenção do mesmo ... e, claro, as mudanças de água semanais. Tenho dois casais reprodutores de belos peixes Amphilophus. Cada casal está em um aquário de 180 litros. Espaço suficiente para fazerem o que o grupo Cichlidae faz de melhor  ... procriação e cuidado parental.

Uma das coisas mais legais, de longe, é ver o casal orientar seus alevinos a se esconder para trás do aquário. Ontem à noite, enquanto eu estava observando um dos casais, notei que sua prole (alevinos) tinham conseguido dividir-se ao meio sendo cada metade para um lado do aquário. Então eu rapidamente me posicionei trás do aquário para ver como o casal iria lidar com o dilema. A fêmea é sempre a controladora (age), se deslocando frequentemente entre os dois grupos de alevinos. O macho também participa, ao menos tenta ... a fêmea parece mantê-lo em movimento, com severas investidas em suas nadadeiras.

Durante minha observação, a fêmea nadava em direção a um dos grupos de alevinos, eriçava e trepidava suas nadadeiras e, então nadava de volta para o outro lado do aquário. Muito lentamente os alevinos se deslocaram para o outro lado do aquário. O macho permaneceu junto ao maior grupo, a fêmea sempre o alertando por meio de pequenos "toques" na base da nadadeira como uma espécie de "alfinetada" para mantê-lo alerta (eu acho). Foi muito interessante observar a dinâmica entre os dois e sua prole.

Female Amphilophus hogaboomorum keeping watch over the fry.
Fêmea de Amphilophus hogaboomorum vigiando sua prole.
The male keeping an eye on one half of the fry while the female got busy rounding up the stragglers.
O macho de olho em uma metade do grupo de alevinos enquanto a fêmea se ocupa reunindo os retardatários.

The female rounding up the fry on the other side of the tank.
A fêmea reunindo a prole do outro lado do aquário.

Imagine having to worry about ALL of these “kids” at one time. No wonder cichlids are expert parents.
Imagine ter que se preocupar com TODAS estas "crianças" de uma só vez. Não é à toa que os ciclídeos são pais exemplares.

Both male and female Amphilophus hogaboomorum with the entire group under their watchful eye.
Ambos macho e fêmea de Amphilophus hogaboomorum com toda a prole sob o olhar atento.



- Mo Devlin (autor do relato "Today in the Fishroom"): Gosta de aquariofilia desde que era criança. O amor pela fotografia se encaixou muito bem ao hobby. Ao longo dos anos tornou-se mais de uma obsessão do que um hobby. Ele é proprietário da Aquamojo.
Link: http://www.reef2rainforest.com/2013/05/24/today-in-the-fishroom-amphilophus-hogaboomorum/
Meio Ambiente: Aquicultura e o futuro dos frutos do mar
Por Sarah Marshall, University of South Florida


Estima-se que fazendas de frutos do mar tornaram-se um tema bastante controverso ao longo dos anos, com os interesses de muitos do setor de aquicultura afetando a percepção pública.

A controvérsia reside com qualidade, e muitos argumentam que as fazendas produzem peixes com qualidade inferior aos capturados na natureza. A sobrepesca é um assunto evitado nos meios de comunicação, pois os consumidores estão acostumados a ter uma variedade de peixes para escolher. A questão é qual é a linha de produção real das nossas fazendas de frutos do mar? Seria bom pensar que gerações de pescadores que saem todos os dias pescassem apenas o suficiente para manter as populações sustentadas e depois vendessem o seu peixe em suas mercearias locais, infelizmente, este não é o caso.

A piscicultura surgiu por causa do esgotamento de fontes oceânicas pela sobrepesca. A indústria da pesca comercial tem que lidar com muitas questões, tais como, eliminação de resíduos, destruição do habitat, invasões de agentes patogênicos, farinha de peixe e os requisitos do óleo de peixe.

De acordo com um amplo estudo publicado em 2000, "Por causa dos altos níveis de farinha de peixe e óleo de peixe oriundos da alimentação na Aquacultura (Aquaculture Feeds), muitas espécies requerem maior biomassa de peixe como alimento do que o peixe produzido." (Naylor, et al, 2000) Esta é , por definição, extremamente ineficiente. De fato, aproximadamente 18% do que a pesca de captura global retirar do mar é descartado como captura acessória.

Este comportamento equivocado mostra um flagrante e apatia em relação aquilo que o mar tem para oferecer aos seres humanos. O mundo é coberta por 70% de água, e agora temos mais de sete bilhões de pessoas para sustentar, e ainda ignoramos completamente de onde vem nossa comida. Os oceanos tornaram-se tão poluído que nossa comida pode nos envenenar aos poucos. Bioacumulação, também conhecido como ampliação biológica, é um processo pelo qual certas substâncias movem-se para o topo da cadeia alimentar e tornar-se mais concentrada em tecidos ou órgãos internos. Um exemplo clássico é o que está acontecendo com o Mercúrio nos oceanos.

Os consumidores são muito mal informados sobre o conteúdo de suas dietas e precisam estar atentos do que estão comprando. O aumento nas importações de frutos do mar são provenientes de países em desenvolvimento, onde as condições de criação são muitas vezes cruel. Houve relatos de peixes produzidos nos esgotos. Embora este certamente não seja o padrão para as explorações piscícolas, extensos testes devem ser conduzidos em peixes importados, como fungicidas e antibióticos proibidos foram encontrados em uma concentração elevadíssima nos frutos do mar vindo de países em desenvolvimento como China e Vietnã. O problema é, como as importações devem ser testadas? Nos Estados Unidos, a FDA (Food & Drug Administration) a inspeção e os testes são feitos em menos de 1% de todas as importações de frutos do mar realizadas, de acordo com um relatório da ABC News.

A poluição que os seres humanos impuseram sobre o planeta tem permeado em todos os aspectos do nosso sustento. Informar o público pode causar o medo, mas ele deve induzir uma consciência coletiva que nos permite unir e resolver os nossos erros.

Certamente, a culpa não é apenas do consumidor, mas das poderosas indústrias que têm um papel importante em crescer e avançar de modo a não erradicar as espécies que tanto dependem. Sustentabilidade na indústria aquícola começa por "agricultura para baixo da cadeia alimentar" ou os peixes herbívoros em níveis tróficos inferiores. Em seguida, encontrar fontes de proteína alternativas para rações de peixes é necessário para tornar a piscicultura, bem como outros animais, mais eficiente. Em terceiro lugar, a integração de sistemas de policultivo de modo que as diferentes espécies interajam em conjunto, permitindo que os recursos de água e alimentos sejam utilizados com mais eficiência e os efluente reduzidos, são fundamentais.

Existem diversas maneiras de apoiar a piscicultura sustentável ou selvagem. Para mais informações, visite o site da Seafood Watch, onde as informações sobre os tipos de peixe para consumir com base em níveis populacionais estão disponíveis. Nós não podemos resolver um problema na qual não temos conhecimento; consciência é o primeiro passo.