abril 22, 2013


Peixes japoneses sobrevivem a viagem de 8 mil km em porão de navio arrastado pelo Pacífico após tusunami

REUTERS SEATTLE
 Elaine Porterfield - abril/2013



(Reuters) - Cientistas estão confusos sobre como um grupo de pequenos peixes nativos do Japão sobreviveram a uma viagem pelo Oceano Pacífico em um barco arrastado pelo tsunami de 2011, levado pela maré no mês passado à costa do estado de Washington.
O cardume de peixes bicudo listrado (Oplegnathus fasciatus) - cinco ao todo - foi descoberto submerso no porão de um barco de pesca batizado de Sai-shou-maru, em Long Beach, no sudoeste de Washington.
A embarcação, que estava encalhada, teve sua origem confirmada esta semana e veio da região norte do Japão, devastada pela imensa onda gerada pelo terremoto de Fukushima, em março de 2011.
Outros barcos levados pelo tsunami já foram encontrados ao longo da costa do Pacífico no noroeste dos EUA e no Alasca, assim como pedaços de ancoradouros e grandes quantidades de outros detritos. Mas os peixes encontrados a bordo do Sai-shou-maru são os primeiros vertebrados, até onde se sabe.
Biólogos marinhos que estudam o fenômeno estão intrigados sobre como os peixes bicudo listrado, naturais de águas mais quentes e rasas do sul japonês, acabaram como clandestinos vivos no porão do barco, e como eles suportaram uma viagem de dois anos através do oceano.
"É bastante notável", disse Curt Hart, um porta-voz do Departamento de Ecologia do Estado de Washington, à Reuters. "Todo mundo ficou muito impressionado ao saber que os peixes sobreviveram por dois anos naquele porão." Os peixes foram aparentemente arrastados junto com o barco uma vez que o mesmo foi "levado" da costa do Japão para o Pacífico.
Os cientistas supõem que os peixes fizeram do barco a sua casa durante a maior parte da viagem, uma vez que o barco ficou à deriva de cabeça para baixo e parcialmente submerso, alimentando-se de outros organismos que se incrustaram ou não à embarcação invertida. Outra hipótese seria de os peixes terem ficado presos no porão do barco quando o vento ou ondas emborcou-o, disse Hart.

ALIMENTAÇÃO MISTERIOSA
O meio do oceano Pacífico é muito escasso em nutrientes quando comparamos com as águas costeiras, levantando questões de como os peixes encontraram alimento suficiente para sobreviver durante a viagem, disse Jeff Adams, um especialista da Washington Sea Grant (agência de apoio à investigações marinhas).
Com cerca de 6 centímetros de comprimento o peixe bicudo listrado, assim nomeado por apresentar boca saliente e listras em preto-e-branco ao longo do corpo, foi a mais surpreendente das cerca de 50 espécies de organismos marinhos que pegou carona por todo o Pacífico em um barco. Várias outras espécies de organismos já foram encontrados, entre eles diferentes espéciesde algas, anêmonas, caranguejos, vermes, crustáceos e moluscos marinhos.
Muitas dessas espécies eram consideradas espécies exóticas (não nativas), e todas foram tratadas como potencialmente invasoras - capazes de afastar as espécies nativas, perturbando o equilíbrio ecológico natural, caso escapassem para o meio ambiente e se reproduzissem.
Como medida de precaução, as autoridades estatais rapidamente removeram o Sai-shou-maru da costa americana antes que amostras de organismos fossem coletadas para estudo, e o barco raspado e desinfectado com vapor, Hart disse.
Quatro dos cinco peixinhos encontrados vivos no barco em 22 de março já morreram, e o espécime sobrevivente solitário foi transferido para um aquário em Seaside, Oregon.
O Sai-shou-maru não é a única Arca de Noé japonesa com potenciais espécies invasoras transportadas pelo tsunami até a costa dos EUA. Vários outros barcos japoneses foram encontrados em terra desde o ano passado em Washington, Oregon e Califórnia, e um navio de pesca foi encontrado à deriva perto do Alasca mas foi afundado pela Guarda Costeira.
Dezenas de espécies exóticas e potencialmente invasoras - além das que pegaram carona a bordo do Sai-shou-maru - foram encontrados previamente ligado a dois grandes pedaços de piers que foram carregados, um até Oregon e outro até a costa de Washington, disse Hart.

(Editing by Steve Gorman, Cynthia Johnston and Patrick Graham)
O GENOMA DESCODIFICADO DO CELACANTO 
REVELA UM PEIXE EM LENTA EVOLUÇÃO
Nicolau Ferreira - abril/2013


Celacanto (1,75m e 77kg) capturado em 2001
por pescadores quenianos. 
Simon Maina/AFP
Passaram-se quase 75 anos desde a sua descoberta na África. Agora uma equipe internacional sequenciou o seu genoma, que abre uma janela até ao passado.
Há um novo capítulo na história extraordinária de um peixe extraordinário. O genoma de uma das duas espécies vivas de Celacanto foi sequenciado e mostra que este peixe possui uma longa e continua história a evoluir. Mas uma evolução muito lenta revela o artigo publicado na revista Nature.
"Descobrimos que os genes estão evoluindo muito mais lentamente do que em qualquer outra espécie de vertebrado", diz Jessica Alföldi, investigadora do Instituto Broad - EUA. A cientista foi uma das autoras do artigo que reuniu o trabalho de 40 institutos em 12 países. Mas as conclusões dizem também respeito à própria evolução dos vertebrados que passaram da água para terra firme.
Os celacantos existem há cerca de 400 milhões de anos. Testemunharam a conquista da terra pelos vertebrados, viram a ascensão dos anfíbios e répteis, e já eram velhos quando os dinossauros surgiram há cerca de 230 milhões de anos.
Neste peixe, as nadadeiras possuem ossos e carne, e fazem lembrar os membros dos tetrápodes -  vertebrados terrestres, incluindo os humanos. Uma das características essenciais na passagem dos vertebrados da água para a terra foi o desenvolvimento de membros capazes de os sustentar em terra firme. Por isso, as nadadeiras especiais dos celacantos fizeram deles um potencial antepassado dos tetrápodes, que surgiram há mais de 365 milhões de anos.
O primeiro fóssil de um celacanto foi descoberto em 1838. Nos cem anos seguintes, e depois de muitos mais encontrados, fez-se a história de um peixe que teria desaparecido com os dinossauros, há 65 milhões de anos - o fóssil mais recente tinha 70 milhões de anos.
Em Dezembro de 1938, no litoral de East London, África do Sul, foi encontrado um celacanto que tinha acabado de ser pescado. Afinal, não estava extinto. A espécie recebeu o nome Latimeria chalumnae, em homenagem a Marjorie Courtenay-Latimer, do Museu daquela cidade sul-africana, que o encontrou. A espécie tornou-se o arquétipo do "fóssil vivo", um termo definido pelo pai da teoria da evolução. Charles Darwin entendia os fósseis vivos como os sobreviventes de um grupo de espécies que, numa dada altura da história da Terra, tinha sido abundante.
O aspecto ancestral do celacanto tornou a ideia de fóssil vivo ainda mais visual. Nas décadas seguintes, com a descoberta de aproximadamente 200 indivíduos, foi definido que este peixe vivia a algumas centenas de metros de profundidade na região Oeste do Índico, entre Madagáscar e Moçambique. Na década de 1990, outra espécie de celacanto foi encontrada perto da Indonésia.
Só agora, passados quase 75 anos, é que os 3000 milhões de letras de ADN dos 48 cromossomas do genoma da Latimeria chalumnae foram sequenciados. O resultado mostrou a evolução lenta. Sabe-se que para os genes Hox, que definem o desenvolvimento do corpo dos vertebrados, as duas espécies de celacanto, separadas há mais de seis milhões de anos, estão a divergir 11 vezes mais devagar do que os genes Hox nos humanos e chimpanzés.
"Fala-se muitas vezes de como as espécies mudam ao longo do tempo", relata Kerstin Lindblad-Toh (Instituto Broad). "Mas ainda há alguns locais do Planeta onde os organismos não têm de mudar. É provável que o Celacanto esteja muito especializado neste ambiente extremo, específico e imutável."
No entanto, Jessica Alföldi considera que as mudanças, ainda que lentas, põem em causa o status de fóssil vivo. "Não é um fóssil vivo, é um organismo vivo. [O celacanto] não vive numa bolha temporal, vive no nosso mundo e isso torna fascinante descobrir que os seus genes estão evoluindo mais lentamente do que os nossos."
Ainda assim, o seu genoma revelou novos dados sobre o nosso próprio passado. A equipe comparou porções de material genético das duas espécies de Celacanto com o dos peixes pulmonados, o que os torna potenciais ancestrais dos tetrápodes. Os cientistas queriam identificar o grupo mais próximo do animal que veio da água para a terra. Apesar dos Celacantos estarem próximos desses ancestrais, os peixes pulmonados estão ainda mais perto.
O genoma do Celacanto serviu ainda para procurar genes que surgiram ou que foram alterados na transição para a terra. A equipe verificou que os tetrápodes ganharam genes que os ajudaram a desenvolver o olfato. Já em relação aos genes Hox, a comparação com o Celacanto permitiu verificar que foram mudando durante a passagem para terra, permitindo a adaptação ao novo ambiente.
Chris Amemiya, outro autor, do Instituto de Investigação Benaroya - Seattle/EUA, diz que as novidades não acabam aqui: "É o início de muitas análises, em que o Celacanto pode nos ensinar mais sobre a emergência dos vertebrados terrestres."

abril 09, 2013



AQUÁRIO DE TOKYO ADQUIRI UM CASAL DE PEIXES DE SANGUE TRANSPARENTE


Tokyo Sea Life Park colocou 2 exemplares de Ocellated icefish (no Brasil, peixe de gelo catarino) em exibição. Esta espécie é altamente incomum no reino animal, pois tem sangue transparente, ao invés de vermelho.
O icefish (Chionodraco rastrospinosus) é proveniente da Antártida. Os dois exemplares expostos no Tokyo Sea Life Park, que são semelhantes ao mostrado na foto acima, foram encontrados e trazidos para o Japão por pescadores de krill e acredita-se serem os únicos exemplares expostos em um aquário público.
Aquarium fish has clear blood
By Valerie Loeb, Creative Commons
Estudos mostram que o sangue transparente deste peixe é devido a ausência de hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio ao corpo do animal e também pela coloração vermelha do sangue. Não está provado ainda como ele consegue sobreviver sem hemoglobina, apesar dos investigadores acreditarem que o seu grande coração combinado com plasma sanguíneo pode ajudar na circulação do oxigênio ao redor do corpo. Assim como o animal também pode ser capaz de absorver o oxigênio da água através da sua pele, uma vez que não possui escamas.
No início desse ano os 2 exemplares expostos no Tokyo Sea Life Park se reproduziram e os cientistas esperam que o casal de icefish e sua prole possam ajudar os pesquisadores a desvendar seus segredos.


abril 02, 2013


Aquário introduz atuns (Bluefin tuna) para "assustar" sardinhas preguiçosas.

Um aquário público no Japão está tendo um problema com suas sardinhas, que se tornaram tão acostumados ao seu ambiente seguro, que não se comporta mais como eles deveriam.

As 35 mil sardinhas do Aquário de Nagoya têm parado para formar o famoso "furacão de peixe", quando elas se reúnem para se alimentar. Uma visão surpreendente e uma grande atração para os visitantes (vídeo mostrando tornado ao final da matéria).

Esse comportamento do cardume é uma forma natural de defesa das sardinhas contra predadores. As únicas a realizar esse comportamento devido a Corrente do Kuroshio na costa do Japão, onde as rochas e outras formas de abrigo são escassos.

O aquário (14,0 x 5,0 m) também possui predadores vindos do mesmo habitat das sardinhas, porém, aparentemente, estes raramente se preocupam com as sardinhas, já que são muito bem alimentado pelos tratadores (staff).

Sardinhas rebeldes (= velhacas) começaram recentemente a romper com o resto do grupo e a nadar em uma parte diferente do tanque. Os tratadores (staff) acreditam que essas sardinhas "rebeldes" perceberam a improvável predação e esta vida fácil levou o grupo a mudar seu comportamento natural.

Segundo relatos, algumas dessas sardinhas começaram até mesmo a competir por alimentos com o Bonito - peixe muito maior e que no ambiente natural (selvagem) provavelmente as comeriam!

Diante disso, os tratadores do Aquário de Nagoya introduziram 11 exemplares de Atum (Bluefin tuna) no tanque onde estão as sardinhas na tentativa de forçá-las a voltar com seu comportamento natural normalmente.

Akira Ogushi, funcionário do Aquário, disse: "Levará cerca de uma semana para o atum se aclimatar. 
Quando eles começam a nadar em uma escola, colocam pressão sobre as sardinhas e todos nadam juntos, como uma grande escola".

O vídeo mostra o tornado de sardinhas no Aquário de Nagoya: 


Caso não consigam acessar pelo blog, tente o link: http://youtu.be/7nc9zgytAto

novembro 01, 2012


Finding and Breeding The Sentani Rainbowfish
30 Oct, 2012
By Thomas Hörning
Pair of Sentani Rainbowfish, male displaying  bright red 
coloration, female in background.
I had always wanted to keep Chilatherina sentaniensisThis beautiful red rainbowfish was originally described as Rhombatractus sentaniensis by Weber in 1908 and assigned to the genus Chilatherina by Regan in 1914. In the 1990s a few specimens were imported frequently, but they were usually confused with Chilatherina fasciata from Lake Sentani.
In June 2011, at the annual general meeting of the IRG (Internationale Gesellschaft für Regenbogenfische/ International Rainbowfish Association), one of our Czech members was selling Chilatherina sentaniensis in the auction. No sooner had I entered the room than I acquired two bags of them. The fishes were already a good size, and thoughts of breeding them were foremost in my mind.
The species is peaceful. If two males meet they display
briefly to one another, but there is no serious conflict.

The three days of the meeting flew by and we set off for home, accompanied by my friend Heinrich and his wife, who were to travel on to the Baltic next day. Once we were back home, though, there were long faces after we unpacked the fish. Almost all of them had pop-eye.
But the next morning, we were greeted with a surprise. We saw gorgeous fishes radiating bright red all over their bodies, with a hint of pink and bold black edgings to the fins.There was no longer any trace of pop-eye! Had it been the long period of transportation or the pure oxygen I had put in the bags at the meeting? We had no idea—the main thing was, they were healthy. We both sat in front of the tank and celebrated like small children, even after several decades together in the aquarium hobby.
But were they really Chilatherina sentaniensis? In the past there had probably been confusion with Chilatherina fasciata from Lake Sentani (described in a report by Johannes Graf in the IRG journal in January 2010). So my neighbor Hans-Georg Evers took a few photos, one of which we sent to Graf for identification. He confirmed that we had the real thing. Now I was confident and content.
After several days of optimal maintenance with lots of pond food, the first woolen spawning mop was suspended in the tank. Eight to ten days later around 70–80 fry hatched. I was happy—the population was secured.
The water parameters in the breeding tank were around 12°dGH, pH 7.3–7.5, temperature 25°C. For the first few days the fry were fed with a protein-rich powdered food and pond water, as it was impossible to sieve out foods as fine as the fry required. After around five to seven days, we began to feed them freshly hatched Artemia nauplii, followed by sieved water fleas and Cyclops (fresh-caught), chopped frozen food, and now and then granulate as well.

Group of youngsters around three months old. They don’t
yet show any hint of the lovely coloration of their parents.
I normally use rather large tanks for rearing right from the start. Only thus do the young grow to an impressive size fairly quickly. In this case it was a 200 Lts. tank. The largest young were 4–5 cm long after four months. At this size some of them were starting to show a hint of pink or red on the body, especially after a water change. I was already dreaming of maintaining and observing a large shoal of these fishes in my 900 Lts. aquarium.
For the benefit of fans of sedately swimming fishes, it should be mentioned that Chilatherinagenerally swim around anything but sedately, and, indeed, sometimes rather chaotically. This could be termed an “unrounded” mode of swimming. By contrast, my Melanotaeniaherbertaxelrodi and M. trifasciata now and then appear somewhat drowsy. Be that as it may, I can recommend these fishes. The special thing for me is the red all over the body, which is rarely seen.

agosto 28, 2012


"Penis-headed" fish discovered in Vietnam
August 27, 2012 
penis fish
Freshly-collected specimens of Phallostethus cuulong.
Photographed and retouched by
L.X. Tran and K. Shibukawa, respectively.

A bizarre penis-headed fish has been discovered in Vietnam, according to a new paper published in the Journal Zootaxa.
The species, dubbed Phallostethus cuulong, is the 22nd known member of the Phallostethidae family, a group of tiny, otherwise non-descript fish characterized by the presence of copulatory organs just under their throat. 
The authors explain: male phallostethids have a unique complex copulatory organ, termed the priapium, under the throat (thus the fishes of this family are commonly called "priapiumfish"). 
The priapium is a bilaterally asymmetric organ for holding or clasping onto females and fertilizing their eggs internally; following internal fertilization, phallostethid females do not give birth to live young, but instead lay fertilized eggs. 
Phallostethus cuulong was collected during an expedition to the Mekong delta in Vietnam. It was recognized as an undescribed species after it was compared with other known members of the Phallostethidae family.
Head and anterior part of body of P. cuulong.
A e B) male; C e D) female
A) lateral view of left side of head and body;
B) lateral view of right side of head and body;
C) lateral view of head and body;
D) ventral view of head and body.
Photographed and retouched by
L.X. Tran and K. Shibukawa, respectively.
Scientists don't yet understand the evolutionary origin of the unusual placement of the fish's reproductive organ. However Phallostethidae fish are "part of a larger group that includes many species that fertilize their eggs internally," according to National Geographic News, which goes on to note that "the vast majority of fish species fertilize their eggs outside the body."
Lynne Parenti, curator of fishes at the National Museum of Natural History in Washington, D.C., explained the fish's mating behavior to National Geographic News: "As with all Phallostethus - 'penis chest' in Greek - species, the male uses its bony "priapium" to clasp a female while he inserts sperm into her urogenital opening, also located on the head." Phallostethidae fish mate head-to-head, which is apparently "a very efficient way to do it," according to the researcher.
The fish discovery comes less than a month after a biologist in the Amazon revealed a little know species of caecilian - a legless amphibian - that was shockingly phallic in shape.
              
Citation: KOICHI SHIBUKAWA, DINH DAC TRAN, and LOI XUAN TRAN. Phallostethus cuulong, a new species of priapiumfish (Actinopterygii: Atheriniformes: Phallostethidae) from the Vietnamese Mekong. Zootaxa 3363 published: 3 Jul. 2012

agosto 27, 2012


Esperma congelado evita extinção de corais

Por Michelle Nijhuis- The New York Times News Service/Syndicate

Ilha Coconut, Havaí – Pouco antes do pôr-do-sol no campus do Instituto de Biologia Marinha do Havaí, Mary Hagedorn aguardava a desova de seus corais-cogumelo. 
Em relação aos outros corais, o Fungia é bastante confiável, geralmente liberando seu esperma e seus ovos dois dias após a lua cheia. Já haviam se passado três. "Às vezes ficamos frustrados", contou, aflita. 
Os corais recalcitrantes ficavam ao ar livre, em pratos de vidro cheios de água, dispostos em fileiras em uma mesa de laboratório feita de aço. Cada um deles tinha aproximadamente o tamanho e a forma da parte de cima de um cogumelo portobello, com um resplendor de arestas marrons que irradiava a partir de uma boca cor de rosa, hermeticamente fechada. 
Sob o olhar atento de Hagedorn e sua assistente, um dos corais apertava a boca e parecia soltar o ar, lançando uma nuvem de esperma no prato com um vigor surpreendente. A água borbulhava como se fosse aveia quente.
ReutersFisiologista da reprodução do Instituto Smithsonian, Hagedorn, de 57 anos, está basicamente construindo um banco de esperma de corais do mundo todo. Sua expectativa é de que a coleção – criada nos últimos anos a partir de corais encontrados no Havaí, Caribe e Austrália – seja um dia usada para restaurar e até mesmo reconstruir recifes danificados.
Ela estima ter congelado 1 trilhão de amostras de esperma de corais, o suficiente para fertilizar de 500 milhões a 1 bilhão de ovos. Além disso, existem 3 bilhões de células embrionárias congeladas; algumas delas têm características de células estaminais, o que significa que podem ter potencial para se desenvolver como corais adultos.
Em relação ao número de corais presentes no mar, a coleção de Hagedorn – armazenada em seu laboratório e em vários repositórios de zoológicos – é pequena. Até agora, porém, é a única do gênero.
Reuters
Embora os corais possam se reproduzir de modo assexuado – isto é, fragmentos de corais podem se desenvolver como clones de seus pais – Hagedorn assinala que apenas a reprodução sexual mantém a diversidade genética de populações, e com ela a capacidade de sobrevivência e adaptação de uma espécie frente às mudanças. 
No caso dos corais, o número de parceiros prováveis está diminuindo: com o aquecimento dos oceanos provocado pela mudança climática, os corais estão se tornando mais vulneráveis a doenças – e ao branqueamento, um problema que faz os corais estressados expelirem as algas coloridas que são fundamentais para o seu suprimento alimentar.
Nos últimos anos, os eventos de branqueamento têm deixado de ser curiosidades locais e se tornado fenômenos mundiais, e em alguns casos, são tão graves e de duração tão longa que os corais não conseguem se recuperar. Enquanto isso, níveis crescentes de dióxido de carbono estão acidificando os oceanos, impedindo o crescimento dos esqueletos dos corais e enfraquecendo lentamente os ossos de carbonato de cálcio dos recifes de todo o mundo.
Reuters
No Caribe, as altas temperaturas da água, os surtos de doenças, a pesca predatória e outras calamidades já mataram 80% dos corais da região, reduzindo muitos recifes a algas e entulhos. Uma série de problemas similares está matando corais no Pacífico, e acredita-se que a extensão de corais vivos diminuiu pela metade nas partes central e ocidental do oceano entre o início dos anos 1980 e 2003.
Se esse declínio continuar, quase todos os recifes do mundo devem desaparecer até 2050. Estima-se que um quarto de todas as espécies marinhas das quais se tem conhecimento têm alguma associação com recifes de corais; algumas talvez consigam sobreviver com algas, mas não todas. Neste mês, pesquisadores que participaram do Simpósio Internacional de Recifes de Coral em Cairns, na Austrália, resumiram a situação: "Considerados em conjunto, esses fatores de tensão relacionados ao clima representam um desafio sem precedentes para o futuro dos recifes de coral e os serviços que eles prestam às pessoas".
Reuters
Para os cientistas marinhos cujas carreiras dependem dos recifes de coral, a coleção de Hagedorn pode trazer tranquilidade.
"A Mary é minha apólice de seguro", disse Greta Aeby, bióloga que trabalha em um laboratório montado em um cais na Ilha Coconut e estuda doenças de corais em todo o Pacífico.
"Estamos trabalhando o mais rápido possível", acrescentou, "mas não é suficiente. Eu sempre digo aos meus alunos: Pesquisem mais rápido!''.
Durante décadas, preservacionistas têm trabalhado para proteger os recifes com reservas marinhas, regulamentos de pesca e outras medidas. Apesar de algumas conquistas importantes, apenas 27% dos recifes do mundo se encontram dentro de reservas, e a criação delas, na melhor das hipóteses, ocorre sem regularidade. Com o aumento das pressões trazidas pelas mudanças climáticas, até mesmo os biólogos marinhos mais otimistas dizem que o futuro dos recifes de corais depende de refúgios – lugares onde as ameaças locais são mínimas, ou onde os corais ficam biologicamente mais adaptáveis às pressões da mudança climática.
Reuters
Embora Hagedorn apoie essas estratégias tradicionais de preservação, ela está se preparando para vê-las fracassar. Enquanto congela amostras de esperma e ovos de corais para utilização no futuro, colegas seus estão aperfeiçoando técnicas para criar corais em cativeiro, a fim de reintroduzir corais jovens em seus habitats naturais.
Ela e seus colegas, porém, têm que se esforçar para arrecadar dinheiro de modo a sustentar suas iniciativas, que são muitas vezes vistas como uma distração em relação à urgência do trabalho da proteção do habitat.
"Em um mundo ideal, gostaríamos de fazer as duas coisas", disse Stephen Palumbi, diretor do Estação Marinha Hopkins, da Universidade Stanford. "Claro que, em um mundo ideal, não haveria restrições de financiamento".
Ainda assim, as duas estratégias podem vir a ser necessárias.
Reuters
"Proteger as comunidades de peixes, garantir que a qualidade da água seja boa, todos esses esforços podem assegurar a existência de diversos corais por décadas", disse Nancy Knowlton, renomada bióloga especializada em recifes de coral do Instituto Smithsonian. "Mas se continuarmos nessa trajetória de emissão de gases do efeito estufa, o único lugar onde conseguiremos encontrar muitos corais serão os congeladores da Mary".
Desde 1949, quando o biólogo britânico Christopher Polge congelou e descongelou com sucesso um frasco de esperma de galo, os cientistas utilizaram a técnica em dezenas de espécies, incluindo seres humanos, porcos, ostras e zangões. 
No entanto, cada espécie reage de um modo ao congelamento de seu esperma, e dominar a criopreservação de uma única espécie pode levar anos de experimentos.
Os ovos e as amostras de esperma, por serem muito maiores, são ainda mais difíceis de preservar.
"Às vezes, é preciso levar vários tapas na cara para chegar ao próximo passo", disse Kenneth Storey, pesquisador de criopreservação da Universidade de Carleton, em Ottawa. "Esse é um trabalho árduo, um trabalho empírico árduo. É difícil".
Reuters
Em seu trabalho no Havaí e em outros lugares, Hagedorn encontrou não apenas as frustrações, mas também a natureza peculiar e misteriosa dos corais. Ao mesmo tempo vegetais, animais e minerais, os corais são colônias de criaturas simples, chamadas de pólipos, alojadas em esculturas distintas de carbonato de cálcio que formam os recifes de coral.
Pouco se sabe a respeito da reprodução dos corais: a desova periódica de esperma e ovos de coral era basicamente desconhecida pelos cientistas até o início de 1980, quando uma equipe de pesquisadores australianos, ao realizar um mergulho noturno, começou a encontrar inúmeras ovas de cabeça para baixo. Os pesquisadores ainda não sabem ao certo o motivo de tantas desovas estarem ligadas às fases da lua.
Reuters
Como o coral Fungia do campus do Instituto de Biologia Marinha do Havaí, os corais, por vezes, alteram seus horários de desova previstos, e Hagedorn passou noites na costa de Porto Rico e Belize ansiosa, à espera de que corais ameaçados começassem a sua desova anual em águas abertas.
Mas a sorte esteve com ela no 2o. semestre do ano passado, quando viajou com um grupo de colegas para a Austrália, a convite do Instituto Australiano de Ciência Marinha. Usando técnicas desenvolvidas por Hagedorn, eles coletaram e congelaram o esperma e as células de colônias de Acropora tenuis e Acropora millepora, duas das cerca de 400 espécies de corais nativas da Grande Barreira de Corais.
Hoje, as células e as amostras de esperma dos corais estão armazenadas em nitrogênio líquido no Zoológico Taronga Western Plains, em Nova Gales do Sul, juntamente com amostras congeladas de esperma de coalas, cangurus da espécie Petrogale xanthopus e dugongos.
Reuters

Em 2009, JoGayle Howard, pesquisadora do Zoológico Nacional conhecida como a 'rainha do esperma', produziu grupos saudáveis de furões-do-pé-preto por meio da inseminação de um furão fêmea com esperma coletado e congelado mais de 20 anos antes, proporcionando uma diversidade genética valiosa para as espécies ameaçadas de extinção. 
Howard, que morreu em 2011, continua sendo uma inspiração para Hagedorn: quando o clima tropical ou os caprichos da desova de corais interrompem o seu trabalho, ela gosta de lembrar que até mesmo um frasco de esperma congelado pode fazer todos os problemas valerem a pena.

"Lembremos do furão-do-pé-preto", disse ela. 
"Apenas alguns poucos indivíduos podem fazer com que uma população comece de novo".