maio 15, 2011

15/maio/2011 - n° 9170 
Diário Catarinense
by Guto Kuerten
A Disputa pela Tainha
Fim do período de defeso do peixe mais popular de SC põe frente a frente pescadores industriais e artesanais, que ainda disputam seus espaços

A natureza dá os sinais que arrepiam e enchem os pescadores de expectativa: o vento sul e frio. E o calendário confirma: a pesca da tainha, a mais tradicional de Santa Catarina, começa oficialmente neste domingo, quando termina o defeso do pescado.

O peixe que acaba à mesa especialmente do catarinense – 70% das tainhas são vendidas aqui – vem do Rio Grande do Sul em busca de águas mais quentes para se reproduzir, como mostra o mapa. Provoca, também, debates entre pescadores industriais e artesanais.

As polêmicas envolvem dois pontos: os limites de cinco e 10 milhas da costa e a liberação legal das embarcações, prontas para ir ao mar, mas ainda à espera da autorização, mesmo com o fim do defeso.

Um projeto pioneiro de estudo da espécie desenvolvido em parceria pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg/RS), Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e Instituto de Pesca de Santos (SP) promete ajudar a encontrar uma solução.

A proposta deve ajudar uma instrução normativa criada pelo Ibama em 2008. A regra decretou critérios como a limitação de licença de 60 barcos industriais para a pesca de tainha e a zona de exclusão.

– Medidas de limitação necessárias. Nosso papel como pesquisadores é determinar o tamanho desta mordida. Caso a mordida seja maior do que a capacidade de regeneração, podemos levar ao colapso – recomenda Paulo Ricardo Schwingel, PhD do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar da Univali.

Segundo ele, a norma foi elaborada para reduzir a possibilidade de conflitos entre os dois segmentos.

Os pescadores concordam com um controle embasado em dados científicos para manter a atividade secular. Cobram das entidades governamentais profissionalização e mais seriedade.

À beira-mar, as duas categorias também dão os últimos retoques nas redes e deixam as embarcações prontas para a corrida pelo peixe. Para ambos, a expectativa realista é de uma boa safra.

Foi o que constatou o Diário Catarinense, em uma manhã com pescadores industriais e outra com artesanais. As reinvidicações e o cotidiano estão nas próximas duas páginas, que registram as diferenças entre as duas maneiras bem diferentes de fazer a mesma coisa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário